Jornal A Cidade, de Ribeirao Preto, SP, Brasil

Especial
Sabado, 22 de Março 2008 - 20h47


Um escritor que não teme a morte


Hoje é um dia especial para todos os cristãos e também para o escritor Admir Serrano, professor, estudioso de Letras, Filosofia, História e pesquisador de experiências de quase morte e também de pós-morte.
- O que me levou a estudar esses fenômenos foi a necessidade de saber se eu sobreviveria à morte física. Eu comecei a estudar, a procurar na ciência algum respaldo para entender a imortalidade com bases concretas, diz ele.
Hoje, ele tem certeza de que a morte não é o fim. Acaba de lançar em todo o país, com passagem por Ribeirão Preto, o livro “Morrer não é o fim - a ciência e os fatos comprovam o que o Espiritismo ensina”.
Paulista de Bocaina, região de Jaú, de família de forte tradição católica, Serrano vive nos Estados Unidos há 26 anos. O espiritualista prega o respeito a todas as religiões. Estudou muitas. Mas acredita que o espiritismo lhe deu as melhores respostas sobre a vida e a morte.
- Busquei muito. Fui conhecer o hinduísmo, o protestantismo, estudei o islamismo, o budismo...
O resultado de todas essas observações está no livro de catorze capítulos, 235 páginas e dezenas de casos que ocorreram nos hospitais, centros de terapia intensiva e outros lugares para pacientes terminais. Em todos eles, a evidência de que pacientes relatavam a visão de parentes ou amigos falecidos próximos ao leito. Ou então, quando recobravam a lucidez, contavam sobre visões de luzes e lugares paradisíacos. Há a história de uma criança doente que até marcou hora para morrer: ela informou que o irmão, já falecido, estava ali e viria buscá-la. Foi exatamente o que aconteceu, narra Admir.
Além disso, para explicar suas certezas sobre a reencarnação, ele se baseia em estudos que comprovam que muitas vezes, há marcas de outras vidas: crianças que nasceram com claras cicatrizes, sinais na pele ou defeitos congênitos que teriam relação com encarnações passadas.
E ele ilustra:
- Existem cerca de quatro mil defeitos congênitos conhecidos. Sabe-se a causa de apenas 30% deles. 70% são de causa desconhecida.
Além disso, diz ele, há crianças que trazem a memória intacta de outras vidas. E mais: hoje essas teorias seriam não só aceitas como estudadas nas universidades norte-americanas, num caminho paralelo entre religião e ciência, que ele acredita, deve se consolidar. Tudo de acordo com as regras da evolução por que passariam todos os seres.

ENTREVISTA A ROSANA ZAIDAN


- Qual o sentido da vida para as religiões?
- Toda vida é sagrada, independente de que os seres tenham livre arbítrio ou não, como a minhoca, a formiga... Todos os animais são consciências em desenvolvimento. Então eles têm esse respeito no budismo e pregam a caridade, a meditação. O budismo não fala em Deus, não se preocupa com Deus, porque é algo que está além da compreensão. Mas procuram buscar na terra o desprendimento e o desapego material.O desprendimento do eu. O espiritismo ensina isso como o desprendimento do egoísmo. O egoísmo é um veneno para o desenvolvimento espiritual.

- O espiritismo admite então a possibilidade de uma pedra, uma planta ou um animal evoluírem e depois reencarnarem como seres humanos?
- Depois de uma longa jornada. A própria ciência, a própria física quântica já admite que existe algo imaterial que forma a matéria. O átomo é a menor unidade da matéria que se conhece... E a própria física quântica já reconhece que na formação do átomo tem algo imaterial que dá vida ao átomo. Mas sendo isso aí uma partícula de consciência, essa consciência tem capacidade de evoluir, porque nós somos conjuntos de átomos. Tudo que você imaginar a nosso redor é átomo. Mas por trás de tudo isso tem alguma consciência, uma energia vital que formaria futuramente o espírito.

- Qual a diferença entre essa energia vital e Deus?
- Deus é a causa suprema de tudo. E tudo o que a gente vê é um resultado. Não é causa, é conseqüência. Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.

- Se nós temos essas células inteligentes, animadas e criadas por essa inteligência, em que momento isso se desorganiza e vem a doença?
- É muito interessante isso aí. Nosso organismo por si mesmo tem capacidade de curar. Todas as noites, todos os dias, somos curados de doenças que nós não imaginamos. Nós temos cem trilhões de células. Nós temos, convivendo em nosso organismo, um quadrilhão de bactérias e micróbios que vivem em nosso ser, chamadas bactérias comensais, que se alimentam de nosso próprio organismo. Então por exemplo, nós temos essas bactérias e elas ficam mais em certos locais, por exemplo, a narina, a boca, e muitas no intestino e no estômago. As bactérias do intestino delgado, por exemplo, ajudam a sintetizar aminoácidos ou certos carboidratos que nosso sistema não tem condição de quebrar, essas bactérias ajudam. A E.coli, que é uma bactéria que pode matar, ela ajuda a sintetizar a vitamina K, para a nossa saúde. Ou seja, o nosso corpo é anfitrião de milhares de organismos que causariam doenças e no entanto nós não adoecemos facilmente. Temos um sistema imunológico responsável por curar doenças ou não permitir a entrada de doenças. Por exemplo, a mente é uma força extrema, que pode curar ou matar. Existe um estudo sobre o efeito placebo, que faz efeito em grupos de pacientes que se submetem aos testes. Ninguém sabe quem toma medicamentos de verdade ou pílulas de açúcar. Agora, quem cura não é a pílula de açúcar mas a crença! Existem 35% de curas com efeito placebo. Mas quando o paciente curado pelo placebo sabe que tomou pílula de açúcar volta a adoecer. Por isso, nos Estados Unidos, psiquiatras já receitam pílulas de açúcar para quem não tem nada, só problemas psicossomáticos. Agora, a doença não depende só do nosso pensamento. Tem o meio ambiente, tem os problemas genéticos.

- Não seria esse também o efeito da fé?
- Justamente. Se você acredita que vai se curar de alguma doença, isso acontece. Obviamente vai chegar um tempo em que vamos mesmo ficar doentes. E necessário para o ser humano morrer. Para a evolução.

- Se a morte é necessária, por que não somos educados para morrer?
- Isso fica para cada um. Temos necessidade dessa educação. O meu trabalho materializado num livro, foi um trabalho para a minha auto-educação para morrer. Acho digno um homem ou uma mulher estar preparado para a morte, porque é inevitável. E no meu caso, o de querer educar-me para a morte, foi quando eu li Platão, que relata os últimos dias de Sócrates, condenado à morte, a tomar cicuta porque estava abrindo a mente dos jovens, e os amigos queriam que ele fugisse, para que ele vivesse mais tempo. Ele não temia a morte porque ele sabia que continuaria vivendo após a morte. Ele acreditava em reencarnação tambem. Ele ia tomar cicuta, ele ia expirar, mas ia sair...Perguntaram a ele como deveriam fazer o serviço funerário e Sócrates respondeu: do jeito que vocês quiserem, se vocês conseguirem me pegar. Os indígenas americanos eram parte do ciclo da vida, do nascer do sol, do caminhar do dia, do pôr da noite, das estações, era um ciclo de vida, era um ciclo de nascimento, de continuidade, de término e de renascimento. Para a vida humana, era a mesma coisa, então eles não temiam a morte. Diziam: hoje é um bom dia para morrer. A morte para eles era apenas uma mudança de mundos. Para um mundo mais feliz. E para nós, com a valorização da vida material, começamos a temer mais a morte. Mas tem uma coisa muito interessante e isso ai está no livro, que o ser humano quando sabe que esta em estado terminal, por exemplo, ele passa por cinco estágios. O primeiro, a negação, o segundo a raiva, na terceira, ele negocia com Deus, barganha. Mas ele tem que morrer. No quarto estágio, entra em depressão; no quinto, há a aceitação.
Quando Kardec pergunta aos espíritos por que tememos a morte, eles respondem que quem teme a morte é o corpo físico, não o espírito. O homem tem a natureza do corpo, que é a do animal, e a natureza do espírito, aquele que sobrevive à morte. Quem teme a morte é o corpo, não o espírito. E é necessário temer a morte, porque todos nós temos esse instinto de preservação. É um instinto necessário, porque temos que cumprir nossa etapa aqui na Terra. Mas quando o corpo já esta em torpor, o espírito, já se reconhecendo como espírito, já vislumbrando o mundo espiritual, vai se retirar, vai ver parentes e amigos, vai ficar em paz.


SERVIÇO

“MORRER NÃO É O FIM
A ciência e os fatos comprovam o que o Espiritismo ensina”
Admir Serrano
Editora Petit - 235 páginas